Por incrível que pareça, a história do jogo “Ocarina of Time” e o Golpe Militar de 64 têm similaridades interessantes, que podem até explicar um pouco sobre a atual situação política em que o Brasil se encontra (e, talvez, até o que poderá se suceder).

Em Hyrule

No “Ocarina of Time” conhecemos Ganondorf, o “homem que veste uma armadura negra”; ele QUER dominar o mundo e coitado de quem ficar na frente. Para atingir esse propósito, não importam os meios necessários: trapaças, ameaças, traições, xingamentos, torturas, assassinatos, tentativa de genocídios e daí para baixo…

Ele acaba conseguindo o poder; o que ele faz? Se vinga de todos os inimigos pessoais, matando várias pessoas inocentes no processo, joga um monte de monstros ao redor do mundo e governa tiranicamente à base do medo e da desesperança.

 

No Brasil

Já no Brasil dos anos 60, a Guerra Fria fez crescer um terror comunista em boa parte da população. Haviam vários problemas estruturais na política e na economia e em meio a esse cenário caótico, o até então presidente Jânio Quadros renuncia em 61, jogando a batata quente para o vice, João Goulart (Jango), esquerdista do PTB, que na ocasião teve o azar de estar em viagem oficial na China. Resultado: Caos.

Os militares não acharam divertido ter um “possível Lenin” no poder e tentaram impedir isso. Mas no final (e depois de um bom tempo), Jango assume e os militares começam a namorar com a ideia de assumir o poder; principalmente devido às medidas populistas do presidente como reforma agrária e reforma urbana (todas vistas como comunistas).

Outros que não viam com bons olhos as medidas do presidente eram o alto clero da Igreja Católica (já que os comunistas eram associados ao ateísmo) e organizações da sociedade civil (na sua maioria pessoas de classe alta), que eram apoiadas pelos Estados Unidos (que temiam que o Brasil virasse uma nova Cuba). A imprensa também teve seu papel ao manipular a realidade e associar Jango como o possível “perigo vermelho”.

Foto: João Goulart (Jango) 

A desculpa final para os militares assumirem foi a quebra da hierarquia e da disciplina na Marinha, quando, em nome da restauração da ordem, foi decretado o regime militar, em 31 de março de 1964. Sendo que no início, só quem sabia do novo regime eram os rico$, os populares nem faziam ideia do que estava acontecendo.

Eles acabam conseguindo o poder, o que eles fazem? Censuram e forjam notícias; perseguem, torturam e exilam “inimigos do governo”; “somem” com pessoas suspeitas; comentem genocídios; aumentam a inflação; aumentam a fome e governam tiranicamente a base da insegurança, medo e noticias forjadas.

Mas onde Hyrule e Brasil se encontram?

No mundo do Zelda 64, temos Ganondorf, um vilão sem menor escrúpulo, que não hesitou em assassinar e torturar seus inimigos, manipular e trair pessoas, abusar do poder do qual dispõe para alcançar o poder e governar a base do medo. Ou seja, tudo aquilo que odiamos e lutamos contra no decorrer do jogo.

No Brasil de 64, não temos a figura de Ganondorf foi dividida em várias facetas:

1. Os militares, impondo as vontades deles à força, mesmo elas indo contra a Constituição; tudo isso sob um pretexto de um “possível golpe comunista” no Brasil, e ironicamente, foram eles mesmos, que aplicaram um golpe contra a democracia.

2. O alto clero da Igreja Católica, que utilizou de uma possível “perseguição socialista à fé cristã”, um porta-estandarte para tentar aumentar o número de simpatizantes (principalmente nas camadas mais altas) em favor a derrubada de Jango.

3. A imprensa, manipulando a realidade de acordo com o que era ditado pelos militares e por grupos de elite descontentes com as medidas populista de Jango; já preparando nos cidadãos o terreno para o que ia vir a seguir.

Todos eles juntos, tal qual Ganondorf; traíram, perseguiram, manipularam, enganaram, ameaçaram e sabe-se mais lá o que, para atingir o principal objetivo deles: assumir o poder e ditar as regras.

Ambos os mundos tiveram o mesmo desfecho: Perseguições, diversas pessoas mortas, torturas, abusos de poder e destruição em um governo tirânico, cujo o alicerce é o medo coletivo instaurado.

De hoje

Agora a pergunta principal é: como alguém que luta contra as injustiças instauradas pelo Ganondorf no Zelda 64 (ou em qualquer um dos jogos da série), pode aplaudir e apoiar quem defende os acontecimentos no Golpe de 64? E ainda se utiliza dos mesmos artifícios usado no Golpe para se promover?

1. Querendo impor suas vontades, mesmo que elas vão contra a Constituição ou a ética; utilizando o mesmo discurso de “possível golpe comunista” no Brasil para se promover.

2. Utilizando diversas religiões como um trampolim para angariar mais votos.

3. Tentando manipular a realidade espalhando notícias falsas pelas redes sociais.

Um novo Ganondorf está perto de alcançar o poder e o resultado se isso acontecer pode ser lido acima. Você conseguirá evitar isso a tempo? #Elenunca